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    November 29

    para mim tanto me faz - versao da veru

    Para mim tanto me faz

     

     

    Para mim tanto me faz

     

     

    Acabou, o dia de aulas

    Não vale a pena fingir que tu gostas

    Não posso mais

    Ficar na sala

    Tu tás dormir e eu sofro cá

     

    Acabou, tamos alegres

    Curtimos o mundo

    Quando há amigos

    Eu já fumei

    Vamos embora

    Olha o pessoal tá quase lá

     

    Querem ficar aqui a olhar?

    Vamos todos para algum bar!

     

     

    (refrão)

    Para mim tanto me faz

    Se tenho notas boas ou notas más

    Às aulas das oito

    Eu é que nunca vou

    Yeeee...

    Para mim tanto me faz

     

     

    Já não vou voltar atrás

     

    Não volto mais

    Não tenho tempo

    Até gostei de ti mas foste um contratempo

    Sinceramente, tu pouco bebes

    Não percebes que eu vou

     

    Querem ficar aqui a olhar?

    Vamos todos para algum bar!

     

    (refrão)

     

    (...)

     

    Não volto mais

    Não tenho tempo

     

    November 24

    rui zink!

    este conto tou traduzir agora....curto bue!!!

     

    SAO JOSE - O FILOFAX

    1 De Março_Hoje comprei um martelo de duas pontas e uma esposa. Não sei nada para que servem as duas pontas, mas é alemão.

    11 De Março_Há muitos judeus na rua. A Maria demorou-se imenso tempo no mercado. Voltou ofegante e contou uma história complicadíssima de incidentes entre as varinas e os romanos. O preço da madeira está a subir. Onde é que isto vai parar?

    20 De Março_Tudo voltou à normalidade. Maria foi buscar água, mas depois em vez de água trouxe um líquido preto, que suja tudo e que ela diz que é inflamável, que parece que os sumérios estão cheios dele, que ainda vai valer uma fortuna…Às vezes pergunto-me se não terá um parafuso a menos. O que faz sentido …ais os parafusos ainda não foram inventados.

    1 De Abril_A Maria contou-me uma coisa que não percebo nada. Mete um pombo, um anjo, um tal de Gabriel, uma tal de Isabel, um tal de Espírito Santo... Não percebi. Só sei é que vou ser pai.

    2 De Abril_Toda a gente da aldeia me felicita. Nunca pensei que gostassem tanto de mim. Cada vez que entro num café todo o mundo se atira ao chão de riso. Que gente boa!

    3 De Abril_Maria foi passar uns dias com Isabel. Parece que a ela lhe aconteceu uma coisa parecida. Zacarias está mudo. Eu também – mas é com o preço da madeira. O que me vale é que vendo as cruzes muito caras.

    13 De Maio_A Maria faz anos hoje. Enviei-lhe um postal de parabéns por correio azul. Pode parecer estranho, mas sinto falta das histórias dela. Ainda não me convenci que vou ser pai.

    28 De Maio_A Maria voltou. Está mais gordinha. Voltou de novo aquela história do pombo e do anjo. Continuo a não perceber nada.

    16 De Junho_Já percebi. Parece que afinal nem eu sou pai nem ela está grávida. A notícia abalou-me tanto que fiquei a martelar até tarde.

    27 De Junho_Afinal não tinha percebido. O que se passa é que ela está grávida mas continua virgem. Eu sou o pai, mas não sou o pai biológico. Agora cada vez que vou ao café perguntam-me se quero um whisky biológico ou legal. São uns brincalhões, estes nazarenos. É o humor judeu!

    8 De Agosto_Não resisti e levei a minha Maria de férias ao Mar Morto. Tivemos sorte, não havia muitos engarrafamentos. Há umas mulas novas tão boas…Um dia ainda perco a cabeça e compro uma mula nova só para mim.

    21 De Agosto_A Maria e eu estivemos a fazer planos para o futuro do nosso filho. A Maria quer que seja um Messias. Eu preferia que fosse carpinteiro. Acabámos a discutir.

    11 De Setembro_Fizemos as pazes. Rimos da estupidez da nossa discussão. Pois se, na volta, ainda nos sai uma filha…

    28 De Setembro_Se for uma filha, a Maria quer que seja qualquer coisa menos virgem como ela. Eu preferia que fosse carpinteira. Acabámos a discutir.

    5 De Outubro_Fizemos as pazes e perdi a cabeça e comprei-lhe uma Black & Decker. No mercado correm rumores de um novo pogrom, com crucificados e tudo. Vinha mesmo a calhar, e assim já podia contratar um aprendiz.

    19 De Outubro_As minhas preces forma atendidas. Contratei um aprendiz, e não tenho mãos a medir. Passamos os dois de manhã à noite a dar marteladas na oficina. Maria não se importa.

    25 De Outubro_Maria está contente com a perspectiva do nascimento da criança. Tenho de falar com esse tal de Gabriel Espírito Santo para ver se chegamos a acordo. Quero que Maria tenha muitos filhos. Espero que ele faça um preço razoável.

    11 De Novembro_O meu aprendiz é o máximo. Eu aos 15 anos não tinha nem metade da escola dele. Só não gosto quando se põe a falar mal da Maria. Eu não acho que ela seja “uma grande mentirosa”. Tem muita imaginação, é tudo. Demos marteladas até tarde.

    23 De Novembro_Hoje fizemos cinco cruzes.

    24 De Novembro_Hoje fizemos nove cruzes.

    25 De Novembro_Hoje batemos o recorde: vinte cruzes. Abençoada Black & Decker.

    1 De Dezembro_Despedi o meu aprendiz. Tinha de ser, a Maria ameaçou fazer escândalo. Nem o argumento de que assim não ia chegar para as encomendas a comoveu.

    20 De Dezembro_Não sei se é por causa do Natal, ou do fim do ano, ou das férias escolares, mas as estradas estão um horror. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que encontrar lugar para estacionar! E a neve que não para de cair…Por pouco não íamos de encontro a um pinheiro.

    24 De Dezembro_O Meridien, o Hilton e o Sheraton estão cheios. Ainda bem, assim poupamos uns sestércios. Eu sei que é um bocado semítico da minha parte, mas é mais forte que eu. Felizmente a Maria gosta de animais, porque vamos a ter que passar a noite numa manjedoura.

    25 De Dezembro_Nasceu a criança, mesmo no feriado, tem graça. Espero que os funcionários da repartição não tenham feito ponte, senão vamos ter de ficar até Janeiro.

    31 De Dezembro_Sacanas! E não é que fizeram mesmo ponte? Estes belenenses só crucificados…O que me consola ainda é a criança. Com a auréola que tem à volta da cabeça, vamos poupar imenso em electricidade. Que importa que não seja minha?

    November 06

    galinha

    este conto tamos a traduzir nas aulas...vejam se gostam
     
     
    Uma Galinha
    Clarice Lispector


    Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque năo passava de nove horas da manhă.

    Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Năo olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, năo souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.

    Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou tręs lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgęncia e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calçăo de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e tręmula, escolhia com urgęncia outro rumo. A perseguiçăo tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirăo da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

    Sozinha no mundo, sem pai nem măe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Ŕs vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E entăo parecia tăo livre.

    Estúpida, tímida e livre. Năo vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que năo se pode­ria contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crę na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tăo igual como se fora a mesma.

    Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chăo da cozinha com certa violęncia. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi entăo que aconteceu. De pura afobaçăo a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha măe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coraçăo, tăo pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chăo e saiu aos gritos:

    — Mamăe, mamăe, năo mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!

    Todos correram de novo ŕ cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta năo era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, năo era nada, era uma galinha. O que năo sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a măe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidăo:

    — Se vocę mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

    — Eu também! jurou a menina com ardor. A măe, cansada, deu de ombros.

    Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

    Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tę-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.

    Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar ŕ beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmőes com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado ŕs fęmeas cantar, ela năo cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressăo de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu ŕ luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.

    Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.


    Texto extraído do livro “
    Laços de Família”, Editora Rocco — Rio de Janeiro, 1998, pág. 30. Selecionado por Ítalo Moriconi, figura na publicaçăo “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”.

    November 02

    coração partido....

    parte-me coração que não vos posso ver! queria tar em braga com o pessoal todo....erasmus, brasileiros e portugueses :) eramus um grupinho mesmo fixe! que merda de distância!
    um dia vou cagar nisto tudo e vou mudar para portugal! que se foda, não é? :)
    November 01

    trabalho 3.parte

    Estudos comparados interculturais

     

             O desenvolvimento do mundo e das economias nacionais permite-nos conhecer literaturas novas. Várias nações demonstram os seus interesses por literaturas estrangeiras, não necessariamente europeias ou norte-americana como era antes. Os autores examinam as influências que tem a sociedade e a económica

    à literatura.

             O próprio nome desta disciplina literária, a literatura comparada, vem da Europa e não pode ser implantado sobre as literaturas orientais. É um método novo e ainda fica quase tudo para fazer. Falta determinar qual é o tertium comparationis, o princípio da comparação. Por exemplo, quando queremos perceber as marcas da literatura grega no romantismo, a comparação é complicada por causa das relações interculturais. Não há nenhuma fronteira clara entre elas mas podemos fazer umas distinções arbitrárias e ideológicas.

     

    Influências interculturais

     

    Segundo Dionyz Ďurišin, a influência entre as literaturas não é só que uma envia alguma coisa à outra mas, também, que a outra pode escolher qualquer coisa na primeira e adaptá-la como a sua. «Quando uma nação ou uma cultura detêm o poder, ou um certo prestígio cultural, os escritores das outras nações ou das outras culturas ficam predispostos para a recepção.»[1] Por exemplo, a China teve influência ao Japão e a Coreia. Pelo contrário, nem o Japão, nem a Coreia não passaram nada à China. Todavia a China recebeu o budismo e a sutra da Índia, que não foi minimalmente influenciada pela China. Hoje em dia, é principalmente a cultura popular dos EUA e a economia da China que dão voltas ao mundo.

    «A recepção é possível sem influência, e a influência sem recepção.»[2] Quer dizer, um autor pode adaptar outra forma de expressão sem ter mudado o seu estilo, como aconteceu ao israelita Richard E. Sherwin, que escreve em inglês. Como ele foi inspirado por estilos japoneses, o inglês não teve influência nenhuma à sua obra.

    A problemática dos géneros e dos sistemas

     

             Ao investigar as relações interculturais, surgem muitas confusões como o sistema de cânones, a periodização e os géneros literários. É complicado distinguir os géneros tipo novel, novelle e romance, porque em outras línguas há terminologias

    e estilos literários diferentes, que causam as confusões acima mencionadas. Por exemplo, a obra prima do Japão, a Gesta de Grenji, é escrita no estilo chamado monogatari. «Significa isto porventura que as outras literaturas devem ter monogatari como máximos expoentes literários?»[3] Ou por quê será que na China

    e no Japão não há tragédias na literatura? É porque o monogatari é propriamente japonês e a tragédia é ocidental.

             Tudo que chamamos literatura é um sistema bastante complicado, cujas fronteiras não estão precisamente limitadas e vão variando. «Os estudos intraculturais proporcionam-nos a possibilidade de compreender a natureza dos sistemas literários.»[4] A literatura existe antes de ter um sistema, quer dizer antes de ser criticada. Como aconteceu a Homero que antecede Platão e Aristóteles. Segundo o autor, Earl Miner, «um sistema literário nasce quando um ou vários críticos influentes definem a literatura de forma normativa.»[5] No Ocidente isto aconteceu na Academia ateninense, quando o Aristóteles converteu os ensaios do Platão e definiu a literatura em termos do drama. Hoje em dia, todos os sistemas literários são formulados em termos de lirismo. Há um só que é baseado no drama, o europeu,

    e não existe nenhum baseado na narração.[6]

             Supõe-se que existem três tipos fundamentais da literatura, os géneros, distinguidos pela primeira vez por Minturno e mais tarde por Milton. Podemos dizer que todas as obras têm traços dos dois outros tipos.

             Hoje em dia, existe a ausência de comparação e das normas de comparabilidade. Todavia, há vários tipos como se podem comparar umas obras. Por exemplo, há investigações sobre o heroísmo nas obras teatrais e romanescas, sobre o romantismo, realismo, etc. A criação das normas é essencial para o futuro da comparação. Por exemplo, não podemos comparar um escritor chinês e inglês que têm em comum só que viviam ambos no mesmo século e escreviam prosa, porque falta base suficiente para a comparação. «Todo o estudo requer dados, provas (elementos considerados pertinentes), uma tese e um método que permitiam controlar a tese através das provas.»[7]

     

    Três modos da comparação

     

             Earl Miner oferece três maneiras da comparação intercultural. A primeira dela chama «prova do estrangeiro». Esta procura factos menos familiares de uma outra cultura. O primeiro deles é o elemento probante e o outro posto à prova. Os dois são similares mas não precisamente comparáveis.

             A segunda maneira respeita as funções. Por exemplo, quando ao investigar epopeias chinesas, temos de lembrar-nos das funções principais da epopeia e só quando ver que corresponde à epopeia ocidental, podemos dizer que a comparação está concluída.

             A última compara fenómenos idênticos em várias culturas. Como são as antologias, colecções de obras essenciais de uma literatura, postos numa certa ordem. Investigam-se as suas identidades formais, que pode ser utilizado, também, para a explicação da origem do sistema poético, etc.

     

             Podemos até comparar os factos que numa certa literatura não existem. Como é o drama no fim da Idade Média ocidental, a alegoria na literatura japonesa ou intolerância ao humor que existe noutros sistemas. Mas o maior problema da comparação «é o preconceito do provincianismo.» E o autor continua: «Temos muito que fazer para apressar a vinda dessa época, quer por razões de ordem intelectual quer para garantir a integridade moral da literatura comparada enquanto ciência humana.»[8]



    [1] P. 205

    [2] P. 206

    [3] P. 208

    [4] P. 211

    [5] P. 211

    [6] A literatura mais antiga do mundo, a sânscrita, era narrativa.

    [7] P. 215

    [8] P. 221

    trabalho 2.parte

    A tradução

     

             A partir dos anos 70, a linguística começou a dar valor à tradução. Quer dizer a vários tipos de traduções, examinando as palavras, limites da tradução, ensino

    e fins pedagógicos.

     

    Estudos teóricos

     

            A tradução ficou abandonada durante muito tempo. Principalmente por causa do receio das teorias, sobretudo das não-literárias. Só mais tarde os tradutores perceberam-se que não ter teoria nenhuma é também uma teoria.

             A tradução, bem como o estudo das traduções, começou a ser considerada uma arte e não uma ciência. Era complicado formular teorias e definir em que condições eram adequadas. Segundo Toury, os tradutores tentavam definir os fenómenos antes de os terem estudado. Deviam voltar às hipóteses para criar um conhecimento mais sistemático.

             «As distinções entre tradução, adaptação, imitação, ou entre as boas e as más traduções são, também elas, dados históricos.»[1] A examinação torna-se mais eficiente graças a novos tipos de teorias que são modelos descritivos, destinados a facilitar as análises.

     

    A tradução em perguntas

     

             Como a tradução não tem a tradição científica nem académica, os tradutores ainda hoje formulam perguntas ingénuas; se, por exemplo, o tradutor foi fiel ao seu modelo, se é realmente possível traduzir o Ulisses do Joyce, como se distingue um génio da tradução, etc.

             Todavia, também há perguntas muito mais básicas; o que é que é a tradução, como é que se faz, qual é a função da tradução na evolução da literatura, etc. Todas estas dúvidas caem a um tradutor ou crítico e não podemos dizer que são falsas.

             Para começar, é muito importante definir a concepção da tradução num determinado momento da história. Investiga-se por quem é feita a tradução, para quem é destinado, em que géneros, em que língua, etc.

     

    O modelo sistémico

     

             Considerando que os sistemas da comunicação utilizam línguas diferentes, crê-se que a natureza das suas relações não pode ser definida se forma exacta.

    A tradução depende das relações entre esses sistemas, da posição que o tradutor ocupa, que ele pode simulá-la, ou de combinação entre as convenções estrangeiras

    e as autóctones.

             Fala-se de processos tal individuais como colectivos. As relações entre os sistemas dependem sempre das circunstâncias e das situações. As literaturas mais estáveis têm tendências a transformar uma obra literária às suas próprias convenções. «Os tradutores evitam as obras demasiado estranhas, evitam os neologismos, o exotismo, as inovações estilísticas ou narrativas, os géneros vanguardistas, etc.»[2] Por outro lado, as literaturas e culturas em crise, absorvem as inovações todas, mantendo as características das obras importadas. Assim até podemos previr as traduções, vendo a compatibilidade do sistema em presença. Mas, claramente, estas previsões nunca são absolutas. «A questão da possibilidade da tradução torna-se, assim, uma questão histórica e relativa.»[3] Depende só do tradutor e dos meios e concepções dele.

             A interpretação sistemática das traduções é global e aberta. Respeita os nomes próprios, a versificação, as técnicas narrativas, etc. A tradução é individual para cada cultura ou literatura. Uma definição universal, sem uma determinada história, seria absurda.

             As teorias linguísticas estudam as normas que tem o investigador sobre

    o objecto, e não as normas do objecto como tal. O texto de partida (o original)

    é considerado evidente e seguro, enquanto o texto de chegada (a tradução) refere

    a vários modelos. O texto de partida pode ser até ignorado pelo tradutor, ou mais,

    o texto original pode não existir, quer dizer ser completamente imaginário, como

    é na pseudotradução.

             Há um esquema que mostra as relações entre o papel na produção

    e elaboração das traduções. Caracteriza uma situação cultural determinada, as categorias textuais, a sua distribuição, etc. Cada tradução representa uma concretização desse esquema, tendo as suas prioridades individuais dependentes ao investigador. Aqui surge a pergunta se a tradução devia ser adequada ou «só» aceitável. Assim repara-se na fidelidade do tradutor. Isto faz-nos crer que nenhuma tradução é coerente. Deviam ser estudadas as tendências linguísticas, morais, artísticas, etc., que obriguem o tradutor tomar uma posição num momento do processo. O objectivo é estudar os motivos e as normas que orientem os tradutores e não os investigadores próprios nem os textos.

             Even-Zohar dedicou-se ao estudo da literatura traduzida como tal, que ela tem as suas normas e os seus modelos. As traduções não devem ser separadas do sistema linguístico. Têm de ser incluídas nele e ser analisadas as relações entre eles, se a tradução é tradicional ou inovadora, e em quê.

             Mas por a tradução num sistema de chegada é relativamente complicado.

    O sistema da literatura traduzida não é estável, nem coerente. O texto importado pode sofrer crises e conflitos. A hipótese que o texto traduzido tem o próprio sistema surge a questão «onde situar as traduções em e entre as obras literárias, em e entre as literaturas?»[4]

     

    A literatura traduzida como sistema intermédio

     

             A tradução deveria analisar a própria tradução, tal como as literaturas.

    As traduções recente trazem, muitas vezes, uns traços estranhos que chocam

    e mostram a origem do texto importado. Assim têm marcas do sistema intermédio, ou seja palavras e figuras de estilo. A selecção dos textos e o método da tradução mostram o carácter aberto ou a fechado da língua receptora. Umas literaturas jovens, por exemplo as da África, desenvolvem-se por géneros importados.

             Muitos investigadores tratam da compatibilidade entre os princípios textuais

    e genéricos dos sistemas em contacto. Um género tem outra hierarquização na literatura diferente. Quando surge um conflito grave, os investigadores costumam transformar as marcas renovadoras em convencionais e ao contrário.

             Os sistemas intermédios eram explorados por Vítor Hugo, Vigny etc. Estes queriam criar um teatro experimental sem regras nenhumas e até excluir o drama das Belas-Letras.

             Em todas as literaturas e todos os momentos históricos há, também, traduções indirectas. São o resultado do desenvolvimento da literatura e de interligações que tem uma a outra. Assim formam grandes grupos das literaturas.[5]

    A maior parte das literaturas importa as obras mais «exóticas» através doutra língua estrangeira à obra original. Esta dupla tradução é típica para transformação das literaturas orientais às ocidentais. A investigação das mudanças na obra, causadas por várias traduções, deveria evoluir em descrição desses factores literários, como

    é já possível, por exemplo, na economia. «Ou melhor, deverá dar uma ideia estrutural das estratégias literárias à escala mundial.»[6]

     

    Trabalhos e projectos

     

             Vários trabalhos, bibliografias e monografias sobre a tradução já foram escritos. São, principalmente, guias para uso dos investigadores. Todavia, faltam-lhes bases explícitas e coerentes ou coordenação. Uma das investigadoras mais conhecidas é Marie Delcourt, a autora de traduções francesa do teatro grego.

    As traduções mais impressionantes vêm do Leste onde a arte da tradução tem

    a tradição longa e muito rica. As colaborações entre os países de Leste e vários centros novos (Telavive, a Bélgica, a Holanda, o Canadá, etc.) estabeleceu umas possibilidades completamente novas. Dentro da Associação Internacional de Literatura Comparada foi criado um Comité de Tradução, que investiga a história das traduções nas culturas diferentes.



    [1] P. 190

    [2] P. 191

    [3] P. 191

    [4] P. 195

    [5] Por exemplo «o estudo das traduções intermédias que orientaram o desenvolvimento da literatura em yiddish ou em hebraico.» P. 196

    [6] P. 197

    trabalho

    como nao fiz nada em braga, a minha profa ficou bue de chateada e tive que fazer um trabalho sobre a teoria da literatura. foi uma seca. escrevia e nem sabia o que porque nao entendia nada daquela m....! mas ontem finalmente o acabei e hoje entreguei...entao ponho o aqui se voces querem ver a desgraca :)
     
    depois do acabar fui tomar uns copos com o martin e a jolana para me distrair :) hehe. podem imaginar....
     
    ta bue de frio aqui! ja vao comecar os negativos!! tou morrer! quero portugal!!!
    mas finalmente tenho a net em casa entao espero vos encontrar mais no messenger :)))
     
    bjs
     
     
     
     

     

     

     

     

    Teoria Literária

     

    A sociologia da literatura, a tradução e os estudos comparados interculturais

     

    Baseado no livro Teoria Literária – Dom Quixote, Lisboa 1995

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Veronika Baudyšová

     

     

     

    Sociologia da literatura

     

             A sociologia da literatura é um complexo heterogéneo de várias ciências sociais, como é a história, psicologia, filosofia etc. Propõe a crítica filosófica e ideológica e não é surpresa que, por vezes, há ideias completamente contrárias e delimitações insatisfatórias. É composta de duas disciplinas principais: a sociologia da literatura e a sociocrítica, interessando-se por tópicos idênticos, com as preocupações radicalmente opostas. Todavia, articulam-se entre si assim tanto que não podem ser consideradas independentes.

     

    Perspectivas críticas heterogéneas

     

             Segundo Albert Memmi, a sociologia da literatura estava nos anos 60 bastante atrasada. Não havia nem a hierarquização nem formulação dos problemas.

    R. Escarpit, um dos fundadores da moderna sociologia da leitura, declarava que se devia estudar o público que acolhe uma obra literária, as categorias sociais, distinções entre as suas variedades[1] ou as relações económicas, como a invenção da tipografia.

             As teorias do Escarpit foram aprofundadas pela Escola de Constança, considerada um prolongamento do Círculo Linguístico de Praga, principalmente da obra de Mukařovský.[2] O texto era considerado objecto estético. Noutro lado, Pierre Bourdieu distinguia a distância estética, o espaço entre as expectativas do leitor e a nova forma estética. A Escola concentrava-se à margem da sociologia da literatura, às interferências extraliterárias. Jacques Leenhardt e Pierre Jósza chegaram a uma conclusão. Baseando nos inquéritos entre os leitores franceses e húngaros, constituíram dois níveis da distinção: os atitudes intelectuais e os investimentos de valores.

             A sociologia empírica, segundo A. Silbermann, H. A. Fügen e K. E. Rosengren, entendia o texto literário como catalisador de processos sociais. A análise dos conteúdos diz que «a obra literária é um documento histórico que fornece testemunhos directos sobre a realidade das sociedades em causa.»[3] P. Henry e

    S. Moscovici agruparam as palavras ou fragmentos em categorias temáticas e classificações por itens. O número de palavras em cada grupo mostra a intensidade da atitude do texto. A sociologia empírica interessa-se por factos sociológicos que a obra literária represente e não pela especificidade do texto de ficção.

             A sociologia dos géneros literários estabelece a relação entre a evolução das estruturas sociais e o aparecimento de novos géneros literários. É caso do romance, baseado no conflito entre a interioridade e a aventura e então, entre o homem e o mundo. A personagem do romance é sempre problemática mas de valores autênticos. O género foi criado por escritores individualistas no mundo de convenção e conformismo.

     

    As grandes mediações

     

             Hoje em dia os autores seguem só regras da tradição artística ou intelectual. Os antecessores deles tinham de servir a várias regras académicas, a censura moral ou a uma igreja. Isso libertou-se só no século XIX com a chegada da classe burguesa.          Segundo Bourdieu, Instituição da literatura trata do carácter normativo e das determinações históricas, quanto campo esclarece a natureza e concentra a nossa atenção na lógica objectiva das práticas correspondentes.

     

             Quanto às mediações linguísticas, a mudança de linguagem é elementar para estabelecer um discurso legítimo num certo mundo social. Bourdieu divide a questão de língua em três níveis:

    1)     Unidade política e social trata de um novo conceito de nação e da emergência de mercado nacional que supõe umas mudanças jurídico-linguísticas. O processo de transformação política do estado identicamente traz uma unificação de língua.

    2)     A produção de sentido tem de ser analisado em função do trabalho, tomando em conta o nível discursivo, textual, tradições gestuais e folclóricas etc.

    3)     A literatura é um sistema que fica fora, acima ou à margem dos discursos, sendo suportada por vários factores. Uns deles são macrossémioticas correspondentes à línguas naturais (francês, espanhol, inglês...). Estes determinam uma primeira visão do mundo. Enquanto, microssémioticas constituem umas experiências múltiplas e contraditórias. Assim enriquecem as macrossémioticas de visões contraditórias.

     

    A sociocrítica

     

              O estruturalismo genético é representado por Lucien Goldmann e a sua modalidade de consciência, que é a visão do mundo por um grupo específico.               Na intertextualidade do Jacques de Leenhardt baseia-se a sociocrítica. Interessa-se por autonomia crítica do indivíduo e pela organização interna dos textos e o seu funcionamento, tomando em conta as relações inter e intratextuais. É por isso, que a disciplina ultrapassa as fronteiras da semiótica imanente.

             O discurso social tem a matéria linguística caótica e instável, mostrando assim a origem do discurso. Cada sociedade tem os seus discursos especializados bem como as formas interdiscursivas,          quer dizer vários símbolos colectivos ou «metáforas que uma sociedade projecta às suas acções.»[4]

             Ideossema tenta procurar respostas a perguntas do género «como se articulam prática social e prática discursiva ou prática de escrita?»[5] Este organiza

    o texto em várias estruturas baseadas nas diferentes problemáticas sociais.

    «O ideossema é concebido como um articulador simultaneamente semiótico.»[6]